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02/09/2021

O aniversario do menino

Aniversario de uma menino nos Estados Unidos, imigrantes e suas impressoes

Esta è uma história de ficção e qualquer semelhança com a realidade è mera coincidência


Todos os dias de manhã quando sua mãe acordava e começava os preparativos para levar as crianças na escola, Steve já estava acordado brincando com seus irmãos no andar de baixo da grande casa de três andares. Ele e seus irmãos não tinham limites nessas poucas horas  que não tinha nenhum adulto inspecionando.  Parece que combinavam de acordar todos no mesmo horário. Subiam nos balcões da cozinha para pegar doces, balas e biscoitos. Além de comer todos os doces que queriam, tiravam  todos os brinquedos do armário, mas, não brincavam com nenhum,  e esparramavam todos os brinquedos pelo chão  do andar de baixo.

Às vezes eles  brincavam com um brinquedo durante bastante tempo, mas era raro. Todos os dias eles aproveitavam que seus pais ainda dormiam e faziam tudo o que queriam. Foi interessante ver as crianças fazendo tudo que não podem fazer perto dos pais.  Eu só observava, fazia apenas 20 dias que eu estava ali e eu ficava de olho para ver se eles poderiam se machucar com algo. 

As crianças estavam livres todas as manhãs. Ali naquela parte da casa, cozinha e sala de tv as crianças faziam tipo festa, comia o que queriam, dava uma mordida largava e pegava outra comida etc. Os três sempre consentiram  em ver o desenho animado que o outro queria, então não tinha briga. Talvez eles soubessem que não podia assistir a essa hora. Normalmente estavam vendo os animes de ninjas do Japão.

Quando a mãe de Steve acordou neste dia ela desceu as escadas e ao chegar na sala viu que as crianças já estavam todas em frente ao computador sentados em uma mesma cadeira.   Os três sempre consentiram  em ver o desenho animado que o outro queria, então não tinha briga. Talvez eles soubessem que não podia assistir a essa hora. Eu sempre dava uma olhadinha pra ver o que eles gostavam e normalmente estavam vendo os animes de ninjas do Japão.

Quando viram a mãe todos pularam da cadeira e correram atrás dela. Se arrumavam  com roupa social como se fossem gente grande; aliás, todos os dias de manhã usavam roupas sociais, um tipo esporte fino e a menina ia com os melhores vestidos, sapatos e cabelo arrumado.

Steve, o menino do meio fazia aniversário, ele sabia e  acordou mais cedo que seus irmãos e pulou em cima deles para acordá-los e foram todos ao andar de baixo. No balcão grande da cozinha havia algumas caixas com bala, alguns brinquedos e lembrancinhas de aniversário. Steve subiu em cima do balcão e começou a tirar tudo de dentro. Olhou todos os saquinhos e foi brincar.

Ele estava fazendo cinco aninhos, mas já andava com roupas sociais como se fosse um homem adulto. Até gravata infantil ele usava às sextas à noite ou em algum evento especial. Steve é um menino de cabelos pretos, pele branca e olhos azuis como de uma água cristalina, e muito meigo.

Neste dia ajudaram a carregar as pequenas caixas e foram para a escola, o ônibus passava para pegar os maiores e um outro carro pegava a menor, mas neste dia Steve e seu irmão mais velho foram de carro com a mãe. Enquanto isso, o bebe ainda dormia lá em cima com o pai.

Eu vi que tinha uma atmosfera bonita no ar, quando as  crianças voltavam da escola, elas voltaram cantando e Steve tinha uma coroa na cabeça, hoje ele era o Rei.  Como sempre iam dormir às sete horas da noite todos os dias.  Não é porque Steve faz aniversário que pode ir dormir a hora que quiser. Quem manda no tempo é a mãe e como de costume as crianças foram dormir no mesmo horário. As quatro horas da tarde já estavam começando a refeição do jantar. 

O jantar sempre  durava bastante  tempo, e sua mãe tinha paciência para esperar até que todos comessem alguma coisa. Um comia correndo, um sentado, o outro em pé, comia como quisessem, todos os dias da semana eram assim, parecia festa.  Todos os  finais de semana as crianças já sabiam: festa na sexta e continuava no sábado. Mesmo no final de semana o jantar e o  horário de dormir eram iguais, nada mudava. 

Quando acordou no outro dia  bem cedinho, após seu aniversário  antes de todos viu que a sala de estar estava toda enfeitada; decorada com balões de gás, um tema de desenho animado e a mesa já posta, faltava só a comida.  Steve estava feliz.

Naquela tarde começaram a chegar muitas outras crianças e uma pequena festa aconteceu neste dia. As crianças aproveitaram os doces, bolos, balões e se divertiram muito. Não houve nada de errado, nenhum choro, todas se comportaram muito bem. Sentaram todos na mesa para comer o bolo. Steve ganhou alguns presentes e foram mais brinquedos e teve um que ele gostou mais e brincou a festa toda com este.

 Quando acabou a festa sua mãe pegou os balões de gás e colocou todos em volta da cama de Steve, ficou muito bonito o quarto dos meninos. Os balões ficaram dias ali até murcharem e serem retirados. 

Foi a  comemoração mais linda e duradoura que eu já vi de um aniversário.  A festa do menino ortodoxo durou 5 dias.  Eu já tinha certeza que quando a mãe está fazendo algo para a criança elas ficam muito boazinhas. Eu percebi que a mãe esticou aquela festa de aniversário para o menino se comportar. Foi um sucesso, meta alcançada. Uma festa simples, pequena com pessoas que  a criança ama , e tudo o que elas precisam. As crianças precisam de tempo, espaço, disciplina e amor para desenvolver todo seu potencial.

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25/07/2021

A viagem de Laura - brasileiros no exterior- Blog

Esta é uma obra de ficção e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência




“A América é muito grande para sonhos pequenos.” Ronald Reagan


Essa pequena história pretende colocar o leitor no mundo encantado da vida de brasileiros vivendo legal ou ilegal no exterior.

Conto a história de uma jovem e de como ela teve que ficar longe de seus pais desde pequena para realizar o famoso "sonho americano." Mal ela sabia o que teria que passar para encontrar seus pais.


A viagem de Laura

 Ela estava no carro juntamente com outra pessoa, e a outra a chamava pelo apelido de coiote e dizia:"-Coiote, pega o cigarro pra mim." Eu não sabia o que isso significava e perguntei: - Porque ela te chama desse jeito? Então ela me contou sua história e como veio parar nos Estados Unidos.

Laura tem um filho e todos os dias deixa seu filho na casa da babá e entra no carro da patroa e juntas seguem para mais dia de Lere. As duas mulheres brasileiras, de  personalidades fortes,  trabalham de faxineira, e Laura é a ajudante. Está nos Estados Unidos há três anos.

Ela  é jovem, ajudante, alegre e feliz. Ela me contou que seus pais a deixaram no Brasil com sua avó ainda com 11 anos de idade. Os pais atravessaram a fronteira com o México há 7 anos atrás e vivem em uma pequena cidade da costa norte de New Jersey.


Ela ficou triste quando seus pais foram embora, mas aceitou porque os pais contaram que estavam indo atrás de melhores condições de vida para ela.   Ela entendeu que era um momento difícil e ficou bem ao lado de sua avó. Seus pais enviavam presentes sempre e se comunicavam quase todos os dias com ela. Mandavam dinheiro para os avós comprarem tudo que ela queria comer e fazer de tudo para Laura ter uma melhor qualidade de vida.


Estados Unidos era o sonho de Laura, um dia chegaria lá. Sonhava em reencontrar seus pais. O país conseguiu se arranjar no país e viviam bem, conseguiam se comunicar quase todos os dias. Laura ficava feliz de falar com  os pais mas sentia muita saudade. Ela foi crescendo assim foi sozinha longe deles. Ela pensava todos os dias em seus pais e ficava imaginando o dia em que os encontraria novamente. Foi crescendo e se desenvolvendo bem como todas as crianças do povoado, esses povoados de roça  em algum lugar do Brasil; indo para a escola a pé, andando pelas ruas de terra sujando-se e brincando com os muitos amigos da escola e os vizinhos de roça. Gostava de brincar e correr com as galinhas, se sujar na lama em dias de chuva e à noite sua avó lhe contava histórias que ela gostava.  Comia cuscuz e pão de queijo que sua vò mesmo fazia.


Seu sonho desde pequena era encontrar seus pais. Um dia ela percebeu que estava crescendo e cada dia mais lembrava a promessa que seus pais haviam feito e disseram:

" Filha, quando você fizer dezoito anos vai juntar-se a nós!" E então prometeram fazer tudo o que precisasse para que a promessa fosse cumprida.


Quando estava perto de completar seus dezoito anos Laura ficou sabendo que poderia começar os preparativos para que ela finalmente pudesse viajar para onde seus pais estavam. Foram dias e meses de emoção para os preparativos da viagem e  Laura achava que este dia nunca chegaria mais.  Tirou fotografia, e ficou toda orgulhosa com seu primeiro passaporte.


Lá vai ela, comprou uma mala grande e colocou seus sonhos e  suas melhores roupas dentro dela. Se arrumou linda, comprou roupas novas, colocou sainha e bota compridas, ouviu falar que lá fazia frio.  Bolsa a tiracolo e lá foi ela para o aeroporto  Disse-me que foi a maior alegria no aeroporto, a família da avó todo mundo do povoado foi se despedir dela.  Saiu linda, feliz , rica e nunca imaginava o que viria pela frente e as dificuldades que iria enfrentar. 


Laura entrou no avião meio assustada mas feliz porque iria reencontrar seus pais. O voo foi direto para o México, ela sabia que iria ter que atravessar e entrar ilegalmente no país mas não imaginava que fosse tão difícil. Os pais não esconderam dela e passaram toda a dica do que ela teria que fazer , com quem falar e quem iria acompanhá-la. Chegando no México alguns homens estranhos pegaram ela no aeroporto e levaram ela juntamente com outros latino americanos para uma casa dentro do mato. Neste  momento ela percebeu que teria dificuldades para encontrá-los e ficou com um pouco de medo. Laura ficou forte e pensou positivo. Nesta casa ela ficou mais de quinze dias aguardando. Disse-me que logo que chegou na casa um homem mal encarado que cuidava de todos disse a ela: "- Me dá essa bota que minha irmã quer uma dessa!” Ela não ia desobedecer uma ordem do mal encarado, tirou a bota e deu. Aos poucos ele foi pedindo tudo, bolsa, vestido etc. e ela ficou apenas de blusinha curta e um shortinho daqueles que se usa no alto verão insuportável do Brasil. Passados quinze dias, ela já não aguentava mais ficar naquela casa com um monte de estranhos e um monte de mal encarados fazendo guarda. 


Passado este tempo Laura foi mandada para um buraco escuro e  disseram que ela tinha que ficar neste buraco até poder ser transferida para o outro lado da fronteira. Ficou três dias dentro desse buraco sujo. Os homens, todos mal encarados, traziam comida e água para ela. Em um momento um dos homens mal encarados, os chamados coiotes, que são pagos para fazer a travessia de ilegais a chamou e disse: “- Laura, está vendo aquele campo de futebol ali?

"-Então, você vai atravessar ele correndo. Na hora que eu disser vai,você corre bem no meio em linha reta no meio do jogo mesmo. Seus pais estão te esperando do outro lado, e lá já é Estados Unidos."


Ela me contou que na hora que ele falou que seus pais estavam do outro lado ela saiu em disparada no meio do jogo só de blusinha e short e chegou do outro lado. Foi uma alegria porque realmente lá estava seu pai e sua mãe. Foram dias felizes, teve churrasco, forró e cerveja. O pai tinha até feito uma promessa que nunca mais iria fumar caso conseguisse encontrar a filha neste país,  perguntei se ele cumpriu a promessa e a resposta foi: "- Nunca mais ele botou um cigarro na boca" Já Laura, segue fumando…..


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